
Dor para caminhar, dificuldade para subir escadas, limitação para movimentar um braço, uma fratura após um acidente ou uma articulação que já não responde bem aos tratamentos convencionais. Problemas ortopédicos podem afetar diretamente a independência e a qualidade de vida, e, em determinadas situações, a cirurgia passa a fazer parte das possibilidades de tratamento.
Mas um ponto é importante: nem todo problema ortopédico precisa de cirurgia.
O ortopedista é o profissional responsável por diagnosticar e tratar alterações do sistema musculoesquelético, que envolve ossos, articulações, músculos, tendões e ligamentos. O tratamento pode incluir medicamentos, fisioterapia, mudanças nas atividades, imobilizações, infiltrações e outras abordagens. A cirurgia é considerada quando há indicação específica para o problema apresentado.
Quando uma cirurgia ortopédica pode ser indicada?
A decisão de operar é individual e depende de vários fatores, entre eles o diagnóstico, a intensidade dos sintomas, o grau de comprometimento das estruturas, as limitações provocadas pelo problema, a idade, as condições gerais de saúde e a resposta aos tratamentos realizados anteriormente.
Em algumas doenças articulares, por exemplo, o tratamento inicial pode envolver medicamentos, fisioterapia e adaptações nas atividades. Quando essas medidas deixam de controlar adequadamente a dor e a limitação funcional é importante, uma cirurgia de substituição da articulação pode ser considerada.
Já em determinados traumas, como algumas fraturas, a cirurgia pode ser necessária para reposicionar e estabilizar os ossos. Placas, parafusos, hastes e outros dispositivos podem ser utilizados para manter os fragmentos na posição adequada enquanto ocorre a consolidação. Nem toda fratura, entretanto, exige tratamento cirúrgico.
Por isso, dois pacientes com dores aparentemente semelhantes podem receber tratamentos completamente diferentes.
Quais problemas podem necessitar de cirurgia ortopédica?
A cirurgia ortopédica envolve uma grande variedade de procedimentos e pode ser utilizada para tratar problemas decorrentes de traumas, desgaste das articulações, lesões esportivas e outras alterações do aparelho locomotor.
Entre as situações que podem levar à avaliação cirúrgica estão:
Fraturas: algumas podem ser tratadas com imobilização, enquanto outras precisam de estabilização cirúrgica para manter os ossos corretamente posicionados durante a recuperação.
Desgaste das articulações: quadros avançados de artrose em articulações como joelho e quadril podem causar dor significativa, rigidez e perda de mobilidade. Quando tratamentos não cirúrgicos deixam de proporcionar controle adequado, a substituição parcial ou total da articulação por uma prótese pode ser avaliada.
Lesões de ligamentos, tendões e cartilagens: dependendo da estrutura afetada, da extensão da lesão e das necessidades do paciente, algumas situações podem demandar reparo ou reconstrução cirúrgica.
Problemas do ombro, joelho e outras articulações: em determinados casos, a artroscopia permite visualizar e tratar estruturas dentro de uma articulação por meio de pequenas incisões. Ela pode ser utilizada em situações específicas e sua indicação depende do diagnóstico.
Alterações da coluna: algumas doenças da coluna também podem ter indicação cirúrgica, principalmente quando existe uma causa estrutural definida e os benefícios esperados justificam o procedimento. Muitos quadros, porém, são inicialmente conduzidos sem cirurgia.
Cirurgia aberta ou minimamente invasiva?
Um dos avanços da Ortopedia está na possibilidade de realizar determinados procedimentos com incisões menores e auxílio de câmeras e instrumentos específicos.
A artroscopia é um exemplo. Nela, o cirurgião utiliza um pequeno equipamento com câmera para visualizar o interior da articulação e realizar procedimentos por pequenas aberturas. É empregada em várias articulações, como joelho e ombro, de acordo com a doença a ser tratada.
Isso, porém, não significa que uma técnica menos invasiva seja automaticamente a melhor para todos os casos. A técnica mais adequada é aquela compatível com o diagnóstico, a anatomia, os objetivos do tratamento e as condições clínicas do paciente.
Existem situações nas quais a cirurgia convencional é necessária para oferecer acesso adequado e permitir a correção do problema com segurança.
Como é feita a avaliação antes da cirurgia?
Antes de indicar um procedimento, o ortopedista precisa compreender não apenas o exame de imagem, mas a pessoa que está sendo tratada.
A avaliação costuma considerar os sintomas, exame físico, histórico de saúde, impacto do problema nas atividades diárias e exames complementares quando necessários.
Radiografias, tomografia computadorizada, ressonância magnética e outros exames podem ser solicitados conforme a condição investigada. A necessidade de cada exame depende do caso.
Quando a cirurgia é indicada, a preparação pré-operatória também é importante. Estado geral de saúde, alimentação, condições clínicas preexistentes e condicionamento físico podem fazer parte da avaliação e do planejamento. A AAOS ressalta que preparo físico e nutricional adequados podem contribuir para o processo de recuperação, sempre de acordo com a orientação da equipe responsável.
E depois da cirurgia?
A recuperação não termina quando o paciente deixa o centro cirúrgico.
Dependendo do procedimento, o pós-operatório pode incluir controle da dor, cuidados com a ferida, uso temporário de dispositivos de apoio, acompanhamento médico e fisioterapia.
A reabilitação tem papel importante em muitos procedimentos ortopédicos porque ajuda a recuperar força, amplitude de movimento, mobilidade e capacidade de realizar atividades do cotidiano. Em cirurgias de substituição de joelho e quadril, por exemplo, exercícios e retorno gradual às atividades fazem parte do processo de recuperação, seguindo o planejamento do cirurgião e do fisioterapeuta.
O tempo necessário para recuperação varia muito. Uma cirurgia realizada para uma fratura não tem necessariamente o mesmo tempo de recuperação de uma artroscopia ou de uma prótese de joelho.
Por isso, comparações com outros pacientes nem sempre ajudam. Cada recuperação tem seu próprio ritmo e deve seguir as orientações da equipe assistencial.
Cirurgia ortopédica também envolve planejamento
Quando existe indicação cirúrgica, entender o procedimento é parte importante da decisão.
O paciente deve conversar com o ortopedista sobre qual é exatamente o problema, quais alternativas existem, por que determinada cirurgia está sendo indicada, quais resultados podem ser esperados, quais são os riscos e como será o período de recuperação.
A decisão entre tratamento cirúrgico e não cirúrgico deve considerar não somente uma imagem ou exame, mas também dor, função, qualidade de vida, condição clínica e objetivos individuais do paciente.
É possível prevenir problemas ortopédicos?
Nem toda doença ou lesão ortopédica pode ser evitada. Entretanto, alguns cuidados ajudam a proteger músculos, ossos e articulações ao longo da vida.
Manter atividade física compatível com a condição individual, fortalecer a musculatura, respeitar períodos de descanso e recuperação, utilizar equipamentos de proteção adequados durante esportes ou trabalho, reduzir riscos de quedas e procurar avaliação diante de dores ou limitações persistentes são atitudes importantes.
Também é fundamental evitar um erro muito comum: continuar forçando uma região lesionada durante semanas ou meses acreditando que toda dor desaparecerá sozinha.
Dor persistente, perda de movimento, instabilidade, inchaço recorrente ou dificuldade para realizar atividades habituais merecem avaliação médica.
Quando procurar um ortopedista?
Procure avaliação especialmente quando houver:
Em casos de trauma importante, deformidade evidente, ferimento associado à suspeita de fratura ou perda súbita importante da função de um membro, procure atendimento de urgência.
Cuidar do movimento é cuidar da autonomia
O objetivo da Ortopedia não é simplesmente tratar uma imagem de radiografia ou ressonância. É ajudar o paciente a preservar ou recuperar movimento, função, independência e qualidade de vida.
Quando uma cirurgia é necessária, diagnóstico adequado, planejamento, estrutura hospitalar, equipe especializada e acompanhamento durante a recuperação fazem parte do tratamento.
Está convivendo com dor, limitação de movimentos ou recebeu indicação de cirurgia? Agende sua consulta com a Ortopedia do HBPSCS para avaliação e orientação sobre o tratamento mais adequado para o seu caso.
Hospital Beneficência Portuguesa de São Caetano do Sul.
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